Foto: Flávia Castelo

Não sei se por coincidência, consciência ou conjunção astral, mas além das comemorações geminianas iniciarem semana passada (mais precisamente dia 21 de maio), tive os melhores encontros – entre afetos antigos – do ano. Até mesmo dos últimos tempos. Turmas de amigos de 7, 11, 20 e 23 anos colocando os papos em dia e, especialmente, discutindo sobre o tempo – esse menino tímido que passa e a gente não vê (li algo parecido na casa de um casal amigo, em Sceaux, comuna francesa que deixou essa reflexão e também saudades).

Nesses encontros falamos sobre a mudança como motor das nossas vidas e da sociedade. E, também, de como perdemos a esperança de ser jovem para sempre. Como diria Belchior, basicamente, de como “o tempo andou mexendo com a gente”. Sim, pereceremos. Perecemos, na verdade. “Preparem-se: não temos mais do que 15 anos de protagonismo. Acostumem-se já a ser coadjuvantes de suas próprias vidas”, uma das amigas sentenciou. Juíza das nossas vidas e de tantas outras, ela me deu uma outra perspectiva da nossa luta diária.

No final das contas, o que conta mesmo e conta contra a gente é o tempo. É certo, como lembrou outro amigo, que “na vida individual o tempo se mede em décadas; na história social em séculos; na história natural em milênios; e na história universal em anos-luz” e, ainda que é ele, o tempo “compositor de destinos, tambor de todos os ritmos, tempo, tempo, tempo, tempo”.

Caetano talvez tenha cantado e orado com a esperança de “ser possível reunirmos-nos num outro nível de vínculo”, mas, na verdade, não paro mesmo é de pensar na nossa capacidade de resiliência e de adaptação. Talvez sejam esses nossos valores históricos fundamentais, afinal, como disse – o mesmo amigo, ou a gente muda ou é mudado, ou pensa ou é pensado, ou inova ou é ultrapassado. O que espero disso tudo? Infinitas revoluções do pensamento por minuto. E que a gente tenha muito tempo e deixe tempos melhores para as futuras gerações.

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A coluna “Aldeia Glocal” é publicada no Tribuna do Ceará, às quartas-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10 e às 18h10.

5 thoughts on “Tempo

  1. Ela lembrou que esse tempo não existe e disse: ‘Ulisses rejeitou Ítaca. A inquietude, a falta, a falha, foram as escolhas dele. Porque a faísca da vida é a vida. Essa coisa da odisseia. A vida é a Odisseia. Não é o canto, não é o lugar que você tem o pleno gozo, a plena família, a plenitude dos amigos’ (é como vi, ontem, num dos projetos apresentados pelo LabX da Escola Porto Iracema das Artes: “nossa proposta é o processo e não o produto. Queremos experienciar o caminho que vai nos levar para um lugar que ainda não sabemos qual é, mas que independente disso, estaremos criando e curtindo juntos, até chegar – ou não chegar – lá). Isso mesmo, talvez não chegar, porque a vida é essa incompletude mesmo, essa vontade de querer estar com a família.(flavia castelo) linda!!!!!

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