Foto: Flávia Castelo

“Penso, logo existo” e você?

Um professor de “humanidades científicas” remeteu seis cartas a uma aluna inquieta com o debate sobre o aquecimento global. O contexto era o da Conferência de Copenhague – a COP 15 (Conferência das Partes), em 2009. Um marco no processo de negociações sobre um novo acordo pelo clima, o encontro reuniu um público sem precedentes na história: Participaram cerca de 115 líderes mundiais e mais de 40.000 pessoas representando governos, organizações não governamentais, imprensa, entre outros. Dentre alguns desdobramentos legais no Brasil, destaco um de São Paulo que, naquela época, aprovou a Política Estadual de Mudanças Climáticas, com meta de redução de gases de efeito estufa do Estado em 20% até o ano de 2020.

Agora, nos preparando para a 23° edição dessa resposta internacional ao aquecimento do Planeta, rememoro o pensamento de Bruno Latour, quando o antropólogo escreveu, a primeira vez, para sua aluna. Ele disse que ficamos com a impressão de que a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima é extremamente importante – “algo de que depende toda a vida na Terra” – ao mesmo tempo em que as discussões parecem “amplas, vagas e incertas para que cheguemos a nos mobilizar de forma duradoura”. E nos deixa atentos diante das previsões trágicas dos ecologistas e as declarações tranquilizadoras dos tecnocratas, ao perguntar se devemos mesmo escolher entre o “Apocalipse e o futuro radiante”. Ele defende que, antes de tudo, devemos retroceder e nos questionar de onde podem surgir sentimentos tão contraditórios, ao convidar para um curso, que ministra na Sciences Po de Paris, baseado numa leitura cuidadosa da atualidade, onde ele se coloca como uma espécie de “voz em off de um documentário sem interrupções”. Ele acredita caber aos discentes autonomia para lidar com noções de história, filosofia e sociologia no intuito de elaborar suas próprias opiniões.

E aí, parece com a sala de aula que conhecemos ou ainda temos muito o que aprender com Zaratustra? O quê? Você não lembra de Nietzsche quando ‘questionar’ é a palavra da vez – pensador que nunca nos convidou a seguí-lo, mas sempre nos instigou ao caminho do questionamento? Então me conta quem você está seguindo que te direi quem és.

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A coluna “Aldeia Glocal” é publicada no Tribuna do Ceará, às quartas-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10 e 18:10h.

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