Foto: Flávia Castelo

Incrível! Era só o que eu pensava (e falava) todos os dias que passei na Índia. Tudo era incrível. E infinito: cores, sons, odores, texturas, sabores, costumes… Passe a vida inteira indo à Índia e você não vai conseguir absorver, muito menos entender tudo.

Cheguei há pouco mais de uma semana, mas de alguma forma, ainda me sinto lá. Sentindo o tempero das comidas, escutando o barulho do trânsito, me inquietando com o olhar, que muitos diriam, invasivo, do indiano e reflexiva com a alegria e hospitalidade locais. É inacreditável a solicitude do povo – a única coisa que achei realmente unânime. Todo mundo quer ajudar. Indiferença não tem espaço por lá, assim como as pessoas que se dividem em mais de 40 cidades com mais de 1 milhão de habitantes. É mais de um bilhão de sorrisos e, mesmo assim, apenas 15% se espalhando em núcleos urbanos.

Se por um lado, não há indiferença entre os indianos, há  diferença. Acredite: Na Índia, a lógica é outra. Não que eu saiba qual é. Apenas tenho tranquilidade em dizer que é completamente diferente de tudo o que eu conhecia. É incrível!

Você consegue imaginar um jornal noturno informando que as notas de 50 e 100 reais não valem mais a partir de meia noite? Pois isso aconteceu: objetivando controlar a evasão fiscal, o primeiro ministro indiano anunciou na televisão que 500 e 1000 rupias não tinham mais valor monetário, numa economia onde 90% das transações ocorrem em dinheiro. A primeira palavra que me veio à mente foi ‘caos’. Inclusive, pensando ser possível traduzir o país em uma palavra, esta era uma que aparecia muito. No entanto, não tanto quanto ‘incrível’.

Existe até uma campanha publicitária do ministério do turismo onde ‘incrível’ inicia com uma exclamação no lugar do ‘i’, me lembrando como parecia que eu estava de cabeça para baixo, vendo tudo invertido e tentando me adaptar a tudo o que era difícil acreditar.

Esta semana, um amigo foi à  Belém, aqui, no norte do Brasil, e comentou como a narrativa criada pela e para a cidade deixava claro para qualquer forasteiro que as pessoas marcam compromissos baseadas na chuva e não no relógio. “Belém, a cidade onde os encontros são marcados antes ou depois da chuva”, foi o que ele disse. E, você, quando pensa em Fortaleza, o que vem à cabeça? Se um estrangeiro te perguntasse pela tua cidade, o que você diria?

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A coluna “Aldeia Glocal” é publicada no Tribuna do Ceará, às quartas-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10 e 18:10h.

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