Foto: Flávia Castelo.

Tem coisa melhor do que tomar aquele banho relaxante, com um jato de água forte e ininterrupto nas costas, enquanto uma massagem nos cabelos nos faz não pensar em mais nada: seja preocupação ou tempo?

Só de imaginar, aposto que você já se sente sente ótimo. É como um passe de mágica: entrar no box do banheiro e a água estar lá, prontinha para limpar corpo e mente.

Mas e se, diariamente, você lembrasse que não é bem assim? São dois dias de viagem para que o chuveiro mais próximo possa ser usado, no caso da água percorrer, a nossos passos, a estrada do Castanhão até Fortaleza. Ok, ela vem do Eixão ou do Rio Jaguaribe, mas o cenário não serve como alerta de que essa não é a melhor maneira de esquecer os problemas? Saber que existe um longo caminho por trás de tudo?

Mesmo assim, muita gente prefere ignorar que a água pode até cair do céu mas não brota do teto. Principalmente hoje, que temos que acrescentar mais um dia para ela chegar ao conforto de casa: diante da escassez do principal reservatório da Região Metropolitana, Orós passou, esse semestre, a fornecer, também, para a Capital, dando suporte ao Castanhão num caminho das águas que está dividindo o Ceará num campo de batalha, em que os competidores não foram avisados da luta: garantir água para Fortaleza X prejudicar o resto do Estado. Especialistas e prefeituras não formularam um consenso, mas o Acordo de Paris fortalece a motivação para acabar com os banhos demorados, as goteiras e vazamentos insistentes e o mau uso de máquinas de lavar.

Esse esforço de 196 países, que objetiva limitar mudanças climáticas e em vigor desde o começo do mês, no entanto, está ameaçado pelo recém-eleito Presidente dos Estados Unidos: Trump diz que vai descartá-lo.

Agora, mais do que nunca, temos que fazer a nossa parte: não só economizar água, mas também evitar emissão de poluentes na atmosfera, ao diminuir o uso de automóveis, por exemplo e a alimentação a base de carne, já que a pecuária é uma das principais causas de desmatamento e de liberação de metano para a atmosfera, além, é claro, de ficar de olho na atuação de nossos representantes.

E Obama tem uma missão a mais e urgente: dificultar qualquer futuro presidente que queira se retirar do Acordo de Paris ou não será a água que entrará pelo cano.

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A coluna “Aldeia Glocal” é publicada no Tribuna do Ceará, às quartas-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10 e 18:10h.

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