Ilustração: Thiago Mello.

“Como vai você?” pergunta Rita Lee em “Nem luxo, nem lixo”.

Ouvir essa música hoje me fez pensar em você. E, também, em lixo. Afinal, a melhor forma de conhecer uma pessoa não é analisando o que ela `joga fora`?

Quem não está cansado de saber que consumimos e dispensamos mais coisas do que necessitamos e talvez até do que desejamos? Nos EUA, por exemplo, 99% do que é cultivado, processado e transformado, ou seja, quase tudo o que percorre o sistema de consumo é descartado em menos de 6 meses, segundo Annie Leonard, uma expert em matéria de cooperação internacional, desenvolvimento sustentável e saúde ambiental conhecida, especialmente, pelo vídeo que virou livro, “A História das Coisas”.

O Brasil? Fica em quarto lugar no ranking de quem produz mais resíduos na América do Sul, com 383kg anuais per capta, segundo mapa interativo criado pela Infografia do El País. A Guyana é quem mais produz. São 558kg. Na ordem decrescente, temos ainda Suriname com 496kg e Chile com 456kg.

Essa colocação brasileira é tão feia quanto o Estrutural, um dos maiores e mais velhos lixões do mundo. Ele acumula, em Brasília, 25 milhões de toneladas de dejetos ao longo dos 50 anos de atividade.

Essa sujeira toda não fala só de Brasília. Fala do país. Aliás, dá pra falar de todo o mundo. Simbólico, não?

Quer se autoconhecer? Perceba o que você anda ‘jogando fora’. Aposto que é pior do que você imagina. E o que você diria de uma vida sem sujeira?

Parece absurdo, mas é verdade. Faltar resíduo é realidade, por exemplo, na Suécia, como consequência dos padrões de educação e consciência ambiental, além da tradição de reciclar e incinerar. O país tem muitas usinas para transformar dejetos em energia e muitas pessoas comprometidas com todo o processo.

Estou falando de um modelo de reciclagem onde as usinas geradoras de energia elétrica e térmica (a partir da incineração de lixo) ficaram sem “matéria-prima” e a solução é adquirir dos vizinhos.

Cidades na Alemanha, Bélgica, Holanda e de outros países também estão remando contra a maré. O que falta à Fortaleza para entrar nessa canoa que não tem nada de furada? O que falta a você?

Urbi et orbi e faça parte da ALDEIA GLOCAL em aldeiaglocal.com.br, afinal, quanto mais global, mais local.

A coluna “Aldeia Glocal” é publicada no Tribuna do Ceará, às quartas-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10 e 18:10h.

2 thoughts on “Essa sujeira toda não fala só de Brasília. Fala do país. Fala de você

  1. Credo, Sinhá! Isso só pode ser arte do canhoto! – como diria a saudosa Tia Nastácia, de Monteiro Lobato…

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