Foto: acervo pessoal.

Não é necessariamente fácil compartilhar, o que quer que seja, com estranhos. Inclusive espaço.

Viver próximo ao outro pode ser impertinente, mas me parece condição do habitante da cidade. Mais ainda: Uma condição impossível de escapar. Afinal, lembra Bauman, um dos sociólogos contemporâneos mais badalados em atividade e minha inspiração de hoje, é  comum definir as cidades como lugares onde estranhos se encontram, permanecem próximos e interagem, até mesmo por longo tempo, sem deixar de ser estranhos.

É, parece que essa proximidade é nossa sina, e, por isso, é  imperativa a experimentação, a tentativa e o teste, na expectativa de encontrar uma maneira que torne a coabitação palatável e a vida suportável.

Mas que modo é esse?

Sim, a conduta de cada citadino, de cada cidade, para satisfazer a necessidade de experienciar é questão de escolha. Mas é importante salientar que esta escolha é feita diariamente, seja por ação, omissão, desígnio ou descuido.

O que nos leva à muitas outras dúvidas e à fragilidade dos laços humanos. Quantas vezes não (ou)vimos o outro?

Parece até que o mundo conspira contra a confiança.

O mundo, ou sou eu que estou com essa perspectiva sombria? Ou é você?

De qualquer forma, temos visto que nesse tempo de relacionamentos em rede, nossa capacidade de tratar bem um estranho é prejudicada e que para além das reflexões  que (ainda) nos unem, outro consolo é que a história ainda não terminou: ainda podemos escolher. E você? Escolhe o quê?

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A coluna “Aldeia Glocal” é publicada no Tribuna do Ceará, às quartas-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10.

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