Foto: Guilherme Silva

 

Um dia, em sala de aula, um aluno chegou atrasado e colocou a culpa no engarrafamento. Todos riram e ele fez questão de tirar o celular do bolso, mostrar a foto que tinha postado nas redes sociais e ler a seguinte legenda “o trânsito de Fortaleza estava horrível esta manhã”.

Como estávamos discutindo o Direito à Cidade, na disciplina de Meio Ambiente, perguntei: “Será que o motorista que estava atrás de você não teve a mesma ideia? De tirar uma foto de todos aqueles carros parados?” Ele deu de ombros e respondeu: “Não, sei, professora. Mas o que isso tem a ver?”.

“Bem, se ele tirou a foto, você não seria horrível também? O que estou tentando dizer, é que enquanto transferimos a responsabilidade para o outro, enquanto não entendemos que fazemos parte do problema, não faremos parte da solução.

Qual é o problema? Um dos problemas, é que a cidade é pensada para carros e não para pessoas. Isto implica em falta de transporte público de alta qualidade, desrespeito a ciclo faixas e poucas pessoas nas ruas. Cenário que contribui para o aumento da poluição, dos acidentes de trânsito e do isolamento entre as pessoas. Tudo que alimenta a contínua sensação de insegurança.

O que podemos fazer? Que tal se perceber parte do problema, assumir a responsabilidade e participar da solução? Estudar e fazer efetivar o Estatuto da Cidade, a lei que regula o uso das cidades em prol da segurança e do bem-estar dos cidadãos, bem como do equilíbrio ambiental, é um excelente começo.

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